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FOGO, VELAS E MACUMBA NA MADRUGADA: DA DIVISA DOS BAIRROS À FRONTEIRA DOS MUNDOS

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  Uma rosa no cabelo, a alça do vestido caída e uma vela acessa. O que parecia um pagode de longe era uma curimba de perto. Entre gargalhadas e um arquivo confidencial do meu passado sendo revelado na penumbra, entendi que o underground também tem seu ar religiosamente misterioso Era um sábado promissor, começo de mês, ferpela no bolso e aquela falsa empolgação de início de mais uma temporada de trinta dias. As contas pagas e comida no armário: é chegada a hora de perambular, porque ninguém é de ferro. Uma festa de bacana rolava num clube no centro, com todo aquele visual elitista que a gente já conhece — portaria, piscina, música ao vivo e rastro de Carolina Herrera pra todo lado. Gente na estica desfilando para eles mesmos, competindo atenções e olhares. Posta um story , toma um gole e confere mensagens. Isso não tem nada a ver comigo. Paguei um banho, vesti o uniforme noturno — aquele tipo de vestimenta com que você entra e sai de qualquer lugar sem ser notado e ninguém vai...

CRÔNICAS DO SUBTERRÂNEO: O BANQUETE DOS INVISÍVEIS

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  O relógio do celular marcava três da manhã quando a lógica decidiu tirar folga. O ar da noite tinha gosto de poeira e maresia, e minhas pernas andavam no automático por uma rua onde até os postes pareciam dobrar o joelho para o cansaço. Eu buscava apenas um maço de cigarros, mas a física quântica dos bairros esquecidos tem suas próprias regras. Ao virar uma esquina sem saída, me deparei com uma porta de enrolar meio emperrada, iluminada por um néon vermelho que zumbia numa frequência quase hipnótica. Parecia o cenário de um filme B de ficção científica dos anos 80. Sem pedir licença, deslizei para dentro. O contraste foi um soco no estômago. Lá fora, o silêncio mórbido da cidade; ali dentro, uma espécie de purgatório festivo. O som que saía de uma caixa de som remendada com fita isolante era um brega-funk desacelerado que parecia reverberar direto no osso estribo. No ar, uma fumaça densa de proveniência duvidosa misturada ao cheiro forte de pinho sol e conhaque barato. Um sujeito...

A Dignidade Começa Pelo Prato

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  “Ideologias, partidos e arrotos morais silenciam diante da mesa. Uma reflexão sobre como o restaurante popular escancara nossos contrastes sociais e nos lembra de que, antes de qualquer convicção, somos apenas corpos que precisam de sustento.” Não importa a bandeira política que você levante: há um momento diário e inevitável em que as pessoas se encontram e os posicionamentos parecem se calar. Somos unidos por um partido chamado “comida”. Independentemente de a quem pertença essa pauta, as pessoas comem — sejam de direita ou de esquerda, do centrão ou apolíticas. E, quando a coisa nessa área não vai bem, o inflar da atmosfera e a tensão social são sentidos na hora. Mas este texto não é para falar de política; é para refletir sobre como nós, humanos, do alto de nossas arrogâncias e ideologias, nos encontramos unidos em um território que funciona quase como uma zona de trégua. Aliás, nessa área, não é necessário dizer nada: ou você come, ou não tem forças para lutar. E até m...

A Vida após às 18h

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Debaixo do concreto de um viaduto, a geografia da cidade se transforma quando o sol cai. Uma reflexão sobre a cultura invisível da noite, as contradições da moralidade pública e as vidas rotuladas pela hipocrisia social.   Há uma cidade paralela que desperta todos os dias pontualmente às 18h. Quando o sol começa a se esconder atrás dos morros e a noite desce pesada sobre o vale, algo toma conta do espaço público, subvertendo completamente qualquer geografia do mapa. Dentre os trabalhadores apressados que cruzam o centro retornando para suas casas, há uma parcela silenciosa que compõe o figurino da madrugada: o trabalho noturno, o entretenimento de calçada, o lazer sem glamour e, no centro de tudo, a perdição e o vício. As páginas policiais das redes locais e os portais da região aguardam ansiosamente por esse período, quando o absurdo ganha corpo. Mas, longe da violência apelativa das manchetes, o olhar aqui busca outra direção. Há uma cultura pulsante, crua e sistematicamente ign...

O Mito do Prompt Perfeito: Por que tentar "adestrar" a IA é uma ilusão?

  "Na ficção científica, o medo da inteligência artificial sempre foi visceral: a Skynet lançando bombas ou o HAL 9000 trancando a porta do ônibus espacial. Mas a realidade da cibercultura de 2026 é muito menos cinematográfica e muito mais silenciosa. O perigo real não é a máquina se revoltar, é nós nos acostumarmos a ser lapidados por ela." É vastíssimo o volume de conteúdo espalhado por aí sobre maneiras seguras e responsáveis de usarmos a inteligência artificial. Não falta quem nos dê conselhos sobre prompts , comandos e jeitos diversos de explorar aquilo que o marketing passou a denominar como "ferramenta fundamental". Um dos últimos conteúdos desse tipo com o qual me deparei fazia uma comparação do uso das IAs com o treino de musculação. O autor construía uma narrativa analógica entre desenvolver o corpo com esforço próprio (mesmo que orientado por um treinador ou personal trainer) e construir conteúdo por meio da inteligência artificial. Na musculação — dizi...

Stalkers de Limbo: O Impacto Oculto no Alcance Digital e Estratégias para Pequenos Negócios

  Introdução Não é segredo — tampouco uma teoria conspiratória — que as redes sociais utilizam algoritmos sofisticados para ajustar e personalizar a experiência de seus usuários. Esses sistemas são projetados para mapear e interpretar gostos, preferências e comportamentos individuais, criando um ambiente altamente adaptado, mas também controlado. Nesse sentido, podemos afirmar que princípios de behaviorismo clássico são amplamente aplicados na construção dessas experiências digitais. No behaviorismo, estímulos externos são utilizados para moldar respostas comportamentais específicas. No contexto das redes sociais, essas plataformas agem como os "condutores" desse processo, oferecendo reforços positivos (notificações, curtidas, comentários) e negativos (filtros de conteúdo, exclusão de informações indesejadas) para modelar e sustentar comportamentos desejáveis, como maior tempo de permanência na plataforma e maior engajamento com anúncios. No entanto, o fo...

TECNOLOGIA,, AUTENTICIDADE E INOVAÇÃO: O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ERA DA INFORMAÇÃO

Desde a divulgação massiva da inteligência artificial parece que a mesma ganhou muito destaque e pouco uso e desinteresse por parte de muitos usuários, assim noticiava vários canais de informação ao final do mês de maio desse ano, trazendo a público algumas notas sobre uma pesquisa de IA feita pela Reuters. De fato o encaminhamento dado as ferramentas de inteligência não tem sido as mais empolgantes, reduzir a ferramenta como automatizadora de conteúdos de longe já causa um certo desconforto se mentalizarmos um futuro digital totalmente produzido de modo artificial, livros, músicas, imagens, notícias, etc.. As ferramentas de análise de SEO em sua maioria já se encontram totalmente adaptadas e abertas a esse comportamento automático de criar conteúdos através de inteligência artificial, como no caso da ferramental Neil Patel onde o resultado da pesquisa das palavras-chave já vem acoplado o botão com a função: criar conteúdo com IA. Isso nos mostra que uma cena digita...