TECNOLOGIA,, AUTENTICIDADE E INOVAÇÃO: O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ERA DA INFORMAÇÃO

Desde a divulgação massiva da inteligência artificial parece que a mesma ganhou muito destaque e pouco uso e desinteresse por parte de muitos usuários, assim noticiava vários canais de informação ao final do mês de maio desse ano, trazendo a público algumas notas sobre uma pesquisa de IA feita pela Reuters. De fato o encaminhamento dado as ferramentas de inteligência não tem sido as mais empolgantes, reduzir a ferramenta como automatizadora de conteúdos de longe já causa um certo desconforto se mentalizarmos um futuro digital totalmente produzido de modo artificial, livros, músicas, imagens, notícias, etc..


As ferramentas de análise de SEO em sua maioria já se encontram totalmente adaptadas e abertas a esse comportamento automático de criar conteúdos através de inteligência artificial, como no caso da ferramental Neil Patel onde o resultado da pesquisa das palavras-chave já vem acoplado o botão com a função: criar conteúdo com IA. Isso nos mostra que uma cena digital futura poderá ser um desdobramento de um cenário não humano. Na busca do destaque, do hype, a conduta desesperada pela construção de um funil que consiga captar um potencial cliente tudo vem sendo tomado pela artificialização e de igual forma, o mesmo se aplica ao caso das redes sociais, onde a IA vem sendo utilizada para diversos fins automatizadores. A pergunta aqui é, o mundo digital é somente sobre negócios?


A busca pela atenção digital deveria ser uma preocupação de saúde pública, uma atenção deveria estar sendo direcionada com objetivo de conscientizar as pessoas sobre determinados comportamentos no meio digital e também um maior entendimento da população em geral de como funciona redes sociais, um retrato, talvez um pequeno recorte que pudesse apontar uma direção saudável já que vários são os estudos que dão conta de aumentos significativos de quadro de ansiedade e problemas de auto imagem causados por uso prolongado de redes sociais.


No Brasil por exemplo criou-se uma cultura onde aquilo que é aceitável obrigatoriamente necessita ter sua aprovação também nas redes sociais e isso representa engajar, crescer digitalmente, como se a rede social ditasse a verdade e mediante isto a interrogação que se faz é o que estamos desejando aprovar onde o espaço favorecido pelas redes é da imitação do comportamento do outro? Quando criada uma nova conta em redes como Instagram e TikTok por exemplo, o incentivo a imitar o que já é tendência fica bem evidente quando a própria rede te direciona a páginas grandes para que “você aprenda a criar”. É a imitação daquilo que está em alta sem nem ao menos entendermos o motivo daquilo estar em alta? Será que já paramos para pensar que muitas pessoas podem simplesmente não poder imitar as outras com o risco de perder aquilo já são? E nesse embaraço como poderia a inteligência artificial trabalhar não em um sentido de automatização da imitação mas favorecer a expressão da autenticidade sem nos preocuparmos com a fantasiosa aprovação das redes sociais?


Se pararmos para pensar a vida não é somente isso que se apresenta nesse local abstrato chamado feed de notícias que, diga-se de passagem, é demasiadamente enjoativo e repetitivo antes mesmo da chegada a décima postagem, tudo aparenta ser mais do mesmo e, realmente é. Ninguém se pergunta o que estamos favorecendo quando nos colocamos a imitar uns aos outros, quem realmente está lucrando com isso? A quem interessa a expressão de um comportamento automatizado dos seres humanos?


Se dissociarmos a busca pela evidência digital da inteligência artificial e com um pouco de criatividade podemos utilizar essa ultima como ferramenta facilitadora de um existir mais autêntico e mais diverso do que aquele apresentado dentro das plataformas de interação social:


1 – Ao invés de produzir automaticamente textos que exprimam assuntos em sintonia com as engrenagens de SEO, podemos analisar de maneira massiva nossa própria produção textual, não somente do ponto de vista de correção e melhoramento do texto mas, da perspectiva de entendermos nossa própria evolução de pensamento e expressão, tais análises podem ser surpreendentes dando a nós um retorno que comumente alguém não daria no cotidiano e o mesmo pode ser feito com qualquer outro tipo de construção própria, videos, fotos, artes, etc.. Isso possibilitará você descobrir algo no mínimo interessante;


2 – Ao invés de tentar produzir o conteúdo mais persuasivo para tentar chamar atenção podemos analisar o que está oculto naquele conteúdo viral, suas bases, sua estrutura, coisas que comumente deixamos passar quando consumimos desatentamente. Aquela postagem altamente viral que causa uma enxurrada de discórdia pode nos revelar algumas surpresas quando submetidas a análise da inteligência artificial. As vezes o assunto que tem um ar altamente importante só teve importância pela descontextualização promovida pela própria plataforma;



3 – Ao invés do mal uso feito por golpistas das inteligências no últimos meses onde vários deepfakes foram criados simulando personalidades conhecidas para vender golpes, a própria IA poderia ter sido utilizada por qualquer pessoa para analisar esses conteúdos. A detecção de discurso de ódio, a propagação de desinformação é também um recurso interessante que pode ser utilizado em favor da autenticidade e originalidade nos tempos atuais;


4 – Em um cenário onde as pessoas estão com grande dificuldade de entender o que o outro tenta transmitir as ferramentas de IA podem analisar o sentimento e as reações das pessoas em relação ao conteúdo digital, fornecendo insights sobre como as mensagens são recebidas e interpretadas pelo público;


5 – Verificação de identidade, sistemas de IA podem ser empregados para verificar a identidade de usuários nas redes sociais e em outras plataformas online, ajudando a evitar a criação de perfis falsos e a garantir um ambiente mais original e autêntico;


6. Por último e não menos importante pode-se afirmar que a inteligência artificial é capaz de fomentar a diversidade e inclusão, dando maior segurança a pessoa não representada a manifestar suas visões de mundo e posicionamentos ainda que estes pareçam completamente desprivilegiados dentro no universo das redes. Aliás diversidade é um conceito amplo que ainda não tem espaço dentro das redes socais onde a apropriação desse conceito virou sinônimo de representatividade de apenas alguns grupos. A inteligência artificial pode, todavia, fazer com que o pensamento daquele que se nega a imitar as tendências encontre seus próprios iguais.


Somente em seis tópicos é possível perceber o quanto de funções não convencionais é possível executarmos através de inteligência artificial e como esta pode significativamente melhorar aspectos ligados a manifestações de pensamentos que nem de longe possuem espaço dentro das redes ou pelo menos chamar nossa atenção de que não é necessário embarcar em uma jornada desenfreada por atenção através da imitação do outro. O que se vê hoje nas redes sociais é um conteúdo monstruoso, massivo de muitas coisas repetidas que não representam nem de longe o pensamento da maioria e que, talvez seja melhor mesmo que a grande parte desse conteúdo diverso não esteja mesmo exposto não correndo assim o risco de cair no mar da descontextualização e de um serviço de um marketing puramente ganancioso.



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