DESVENDANDO O ENIGMA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: IMPACTOS, MITOS E REALIDADES
No começo eram delírios, vontade de automatizar as coisas e envolto nessa vontade sempre esteve presente a ação de buscar de alguma maneira uma possibilidade disso acontecer. Pois bem, parece ter começado a acontecer, há uma expansão do que se denominou inteligência artificial acontecendo e com ela também há um imaginário confuso, caótico e em sua maioria delirante se expandindo, navegando em uma direção que parece ter muito mais a ver com uma loucura humana do que um pensamento claro da realidade do que exatamente isso tudo pode representar.
Desde o princípio deliramos com um determinado tipo de automação, com uma era onde máquinas executariam funções de maneira independente, o que não se sabe é se essa independência de ação a inteligência estaria a serviço do conforto e progresso da humanidade ou somente dos grupos que criam e injetam os parâmetros nos sistemas. Seja como for, e tomara que seja para o bem de todos, um rascunho primitivo do que um dia foi uma distante abstração aí está, funcionando e mesmo que o engatinhar da inteligência artificial tenha sido a mais de setenta anos atrás somente com o Chat GPT e outras IAs foi possível qualquer pessoa possuindo celular ou computador ter uma experiência mais próxima daquilo que um dia o ser humano narrou nas ficções científicas.
Com a enxurrada de usuários dessas tecnologias, muito tem sido o aparecimento de conteúdos para diversos fins, se para um grupo de profissionais da educação o Chat GPT tem sido um grande inimigo pela geração de textos produzidos em série e também contendo erros comuns dessa primeira fase de testes, se assim podemos chamar. Em outros campos da educação a IA ganhou o status de ferramenta fundamental para o desenvolvimento e estudo de determinados conteúdos como por exemplo: programação. Dentre vários pensamentos pros e contras o uso da inteligência artificial, há ainda aqueles que se encontram presos em um imaginário desse tipo de tecnologia que mais se aproxima aos imaginários cinematográficos de ficção do que a própria realidade dizendo: A inteligência artificial vai dominar tudo. Será?
A inteligência artificial nada mais é do que um grande banco de dados submetido a uma série de parâmetros de resposta e isso é ótimo. Se os dados injetados são seu alimento, sua memória, esses dependem única e exclusivamente do analógico humano para alimentá-la, tanto para atualizar os bancos de dados, como para cria novos parâmetros e também atualizar já existentes. Ainda em uma última ponta do processo a IA depende para produzir novos resultados e discursar com exatidão sobre novos assuntos da injeção do novo, que somente é possível no ser humano. Uma inteligência pode construir um milhão de permutas com vários assuntos, mas não pode criar um assunto novo.
Ao contrário do que muitos pensam, IA não representa o novo, representa uma gama de conhecimentos já existentes permitindo combiná-los de várias maneiras o que humanamente seria demorado e repetitivo, mas, somente o ser humano tendo o cérebro que tem, influenciado por questões que nem mesmo sabemos o porque, podemos dar atualidade e autenticidade há conhecimentos já descobertos. A exemplo: algumas semanas atrás um grupo de amigos começou a analisar discursos narcísicos e outros problemas de personalidade em “líderes” religiosos nas redes socais. A IA pode facilmente analisar essas tendências em questões de segundos através de um conhecimento já existente mas a proposta de fazer essa análise para abrir os olhos de pessoas que são abusadas todos os dias por charlatões é completamente humana, e sim, é o novo e autêntico.
As IAs estão trazendo para nós possibilidades incríveis, podendo potencializar nossas ideias através de um conhecimento que já existe, abrindo porta até para um autodidatismo jamais visto. Se antes tínhamos autodidatas e polímatas com dificuldades e tendo que articular inúmeras ferramentas para satisfazer sua sede de aprendizagem, a partir das IAs pode-se encontrar um porta aberta para o aprendizado autônomo e mais rápido de infinitos conteúdos. Em um instante pode-se entender ideias complexas, simular pinturas, ajustar detalhes naquela música que não ficou legal, entender desafios e possibilidades de um projeto pessoal.
Como tudo que criamos as inteligências também tem seu lado negativo, mas, até o momento isso tem se dado mais pelo lado criminoso de alguns grupos do que por erros da própria inteligência artificial. Muitos tem sido os conteúdos fakes produzidos artificialmente para fins de golpes financeiros, mas isto, nem de longe representa o lado sombrio da inteligência artificial e sim um comportamento humano de tendências criminosas. Mas, acabar com atitudes criminosas na web é muito mais responsabilidade das empresas desenvolvedoras do que dos usuários. A exemplo a Meta que não possui nenhum tipo de filtro em suas propagandas e mesmo quando denunciadas como fraudulentas, a empresa parece ignorar alegando que determinada propaganda não viola os padrões de publicidade. O assunto sites e apps de aposta já foi amplamente denunciado com casos resultando em prisões e os anúncios dos mesmos sites e apps continuam lá assim como aqueles gerados em inteligência artificial, isso é um problema da Meta e não de inteligência artificial. Aliás no quesito Meta, tudo mais esquisito se encontra dentro antigo facebook de jogos de azar a pornografia explicita e isso não foi produzido por inteligência artificial.
De certo que estamos bem distantes daqueles cenários cinematográficos estampados em filmes de ficção, esse, é somente um delírio humano narrado pelas obras de cinema, um desejo sádico talvez de viver em um mundo dominado por máquinas que produzem conforto para poucos e escravizam muitos. Isso já acontece sem inteligência artificial. E se soubermos o que estamos fazendo a Inteligência Artificial pode ser uma grande ferramenta, aliada do desenvolvimento de nossas habilidades ou mesmo uma realizadora de serviços intelectualmente pesados enquanto nos dedicamos a outras coisas como, bem-estar, família, plenitude ou quem sabe: criatividade.
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